terça-feira, dezembro 05, 2006



O tempo passa, o tempo voa e já estamos quase em 2007, este blog também está próximo de fazer aniversário.
Muitas coisas aconteram desde a última postagem, comigo e com o mundo.
Com o tempo mudamos muito rapidamente, nossas mudanças às vezes passam a ser imperceptivél pra nós e observável aos outros.

O vestido (Adélia Prado )
No armário do meu quarto escondo de tempo e traça meu vestido estampado em fundo preto.
É de seda macia desenhada em campânulas vermelhas à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito, meu vestido de amante.
Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada: eu estou no cinema
e deixo que segurem minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.

domingo, outubro 22, 2006


Hoje coloquei para vocês uma música do CD "Baladas de Asfalto e outros Blues" de Zeca Baleiro...

O Silêncio - Zeca Baleiro
Essa noite não tem lua
Eu sei porque vi com meus olhos
Além dos luminosos que não brilham mais
Dorme às escuras a lua
Pra onde vai nosso amor,
Nossa sede?
Há tempos que pergunto isso
Nem mesmo Jesus CristoPendurado na parede
Saberia a resposta
Vem comigo, vem
Já tenho quase tudo que me basta
A flor no pasto
A mesa posta
Minha música e teu calor
Agora só me falta aprender o silêncio.

quarta-feira, outubro 18, 2006

É íncrivel como a justiça e as gravadoras pensam de forma retrógrada, ontem prenderam, aqui no Brasil, 20 pessoas por distribuírem músicas gratuitamente pela internet.
Será que as gravadoras ainda não perceberem que as pessoas que buscam músicas dos artistas não deixam de comprar seus CDs e de ir aos shows? Não entendem que o compartilhamento de músicas ajudam a promover os artistas?
Assim como eu, milhares de pessoas buscam e baixam músicas gratuitamente pela internet, também acredito que dessa forma milhares de pessoas conheceram novos artistas e viraram fãs através de buscas pela internet.
Não só os internautas são beneficiados por esses sites, os artistas também, quer dizer principalmente eles, todos os dias leio matérias sobre cantores anônimos que viraram celebridades através da internet, ou de cantores esquecidos que foram "resgatados" para a fama pela internet.
Acho que ao invés de reprimir o compartilhamento de músicas, as gravadoras devem incentivar e até mesmo facilitar, não adianta dar "murro em ponta de faca", é melhor aliar-se aos "inimigos" do que ser vencido por eles.

sexta-feira, setembro 29, 2006


Depois de muito tempo sem escrever, estou de volta, mesmo estando um pouco chateada...
às vezes a vida nos impõe uma situação chata de suportar, mas irremedível momentaneamente...
são coisas que nos deixam incapazes contra nossa vontade (estou meio confusa, eu sei, mas é uma expressão do tédio e chateação que estou sentindo...)
então, deixa, não quero que meu blog vire um vale de lamúrias...

quinta-feira, setembro 07, 2006


Esta é a letra da música da semana, é de uma jovem banda brasileira...

Toda Luz
Gram
Composição: Sérgio Guilherme Filho/Marco Loschiavo


Todo fim faz-me clarear
Talvez paz, não mais te esperar
Sei que errei, por muito tempo eu te dei
Toda luz...
Todo sim fez-me adorador
Sempre atrás de um beijo,
Um sorriso, um olhar eu estive
Sei que não dá pra ter de volta
O que eu te dei
Toda luz...
Muita luz pra alguém
Que nem queria ficar, mas nem sair...
Bem atrás da casa havia uma
Linda flor, você nem viu...
Todo não, fez-me desvaler
Ir de encontro ao pior de você não
Era justo não
Sei que errei, por muito tempo
Eu te dei
Tanta luz...
Muita luz pra alguém
Que nem queria ficar, mas nem sair...
Bem do lado interior do coração,
Ainda mora um forte afeto por você...
Bem atrás da casa havia uma
Linda flor, você nem viu...

domingo, setembro 03, 2006


Esta música está falando muito pra mim hoje...

Você Pode Ir Na Janela
Gram
Composição: Sérgio Guilherme Filho


Se não vai
Não desvie a minha estrela
Não desloque a linha reta
Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim
Você quer me biografar
Mas não quer saber do fim
Mas se vai
Você pode ir na janela
Pra se amorenar no sol
Que não quer anoitecer
E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei
Vai sem duvidar
Mas se ainda faz sentindo, vem
Até se for bem no final
Será mais lindo
Como a canção que um dia fiz
Pra te brindar
Você pode ir na janela
Pra se amorenar no sol
Que não quer anoitecer
E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei
Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim

domingo, agosto 27, 2006


Olá pessoal!
Recebi este texto por e-mail e quero compartilhar com vocês, ele me disse tudo que queria ouvir hoje...

Todo o resto
EXISTE O CERTO, O ERRADO E todo o resto”. Esta é uma frase dita pelo ator Daniel Oliveira vivendo Cazuza, em conversa com o pai, numa cena que, a meu ver, resume o espírito do filme dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho. Aliás, resume a vida. Certo e errado são convenções que se confirmam com meia dúzia de atitudes. Certo é ser gentil, respeitar os mais velhos, seguir uma dieta balanceada, dormir oito horas por dia, lembrar-se dos aniversários, trabalhar, estudar, casar-se e ter filhos, certo é morrer bem velho e com o dever cumprido. Errado é dar calote, rodar de ano, beber demais, fumar, se drogar, não programar um futuro decente, dar saltos sem rede. Todo mundo de acordo? Todo mundo teoricamente de acordo, porém a vida não é feita de teorias. E o resto? E tudo aquilo que a gente mal consegue verbalizar, de tão intenso? Desejos, impulsos, fantasias, emoções. Ora, meia dúzia de normas preestabelecidas não dão conta do recado. Impossível enquadrar o que lateja, o que arde, o que grita dentro de nós. Somos maduros e ao mesmo tempo infantis, por trás do nosso autocontrole há um desespero infernal. Possuímos uma criatividade insuspeita: inventamos músicas, amores e problemas, e somos curiosos, queremos espiar pelo buraco da fechadura do mundo para descobrir o que não nos contaram. Todo o resto. O amor é certo, o ódio é errado e o resto é uma montanha de outros sentimentos, uma solidão gigantesca, muita confusão, desassossego, saudades cortantes, necessidade de afeto e urgências sexuais que não se adaptam às regras do bom comportamento. Há bilhetes guardados no fundo das gavetas que contariam outra versão da nossa história, caso viessem a público. Todo o resto é o que nos assombra: as escolhas não feitas, os beijos não dados, as decisões não tomadas, os mandamentos a que não obedecemos, ou a que obedecemos bem demais — a troco de que fomos tão bonzinhos? Há o certo, o errado e aquilo que nos dá medo, que nos atrai, que nos sufoca, que nos entorpece. O certo é ser magro, bonito, rico e educado, o errado é ser gordo, feio, pobre e analfabeto, e o resto nada tem a ver com estes reducionismos: é nossa fome por idéias novas, é nosso rosto que se transforma com o tempo, são nossas cicatrizes de estimação, nossos erros e desilusões. Todo o resto é muito mais vasto. É nossa porra-louquice, nossa ausência de certezas, nossos silêncios inquisidores, a pureza e a inocência que se mantêm vivas dentro de nós mas que ninguém percebe, só porque crescemos. A maturidade é um álibi frágil. Seguimos com uma alma de criança que finge saber direitinho tudo o que deve ser feito, mas que no fundo entende muito pouco sobre as engrenagens do mundo. Todo o resto é tudo que ninguém aplaude e ninguém vaia, porque ninguém vê.

Espero que tenham gostado...

terça-feira, agosto 22, 2006


Este é um soneto de Florbela Espanca, uma mulher que expressava como ninguém seus sentimentos através das palavras...


Volúpia
No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
A sombra entre a mentira e a verdade...
A núvem que arrastou o vento norte...
--- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...

quarta-feira, agosto 09, 2006

Clique aqui para fazer o download!

Resolvi fazer algumas inovações no blog, visitei outros blogs e vi alguns especializados em músicas disponibilizando álbuns raros para os visitantes, então seguindo esta linha também pretendo disponibilizar alguns músicas para vocês baixarem, porém não quero transformar meu blog em um blog especificamente musical, continuarei com minha proposta inicial de literatura e dicas de livros.
Pra começo de conversa deixarei aqui o álbum "Eu me transformo em outras" de Zélia Duncan, neste CD ela faz um resgate de suas influências musicais, são arranjos belíssimos, interpretado magistralmente por ela. (Se você quiser mais informações sobre a cantora clique sobre o nome Zélia Duncan e vá direto para o site oficial)

sexta-feira, julho 28, 2006


Ultimamente a coisas andam de uma maneira plácida...
O mar está calmo e de navegação tranquila, pelo menoes consegui tempo para aprender a tricotar e ler um bom livro, coisas que não achava tempo para fazer.
Esta semana comecei a ler "Amar, verbo intransitivo" do escritor modernista brasileiro Mário de Andrade, o enredo trata sobre um senhor burguês que contrata uma governanta alemã para ensinar a arte do amor ao seu filho mais velho. Daí começamos a postular perguntas sobre o que seria o amor? Como alguém ganha a vida ensinando-o?
Porém estas são perguntas superficiais sobre a obra que aprofundasse bem mais isso.
Deixo para vocês um soneto do escritor, para instigar a curiosidade de conhecer sua obra.

Aceitarás o amor como eu o encaro ?...
...Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.

Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições.
O encanto Que nasce das adorações serenas.

terça-feira, julho 18, 2006


Viver, amar, sofrer
E assim caminha a humanidade....

domingo, julho 16, 2006



Vou deixar aqui a letra da música da semana.
É uma música do Cordel do Fogo Encantado, um grupo de música regional pernambucana, esta música faz parte da trilha sonora do filme nacional "Lisbela e o Prisioneiro"

Amor É Filme
Cordel Do Fogo Encantado
Composição: Lirinha
O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica
O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica
Um belo dia a agente acorda e hum...
Um filme passou por a gente e parece que já se anunciou o episódio dois
É quando a gente sente o amor se abuletar na gente tudo acabou bem,
Agora o que vem depois
O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica
É quando as emoções viram luz, e sombras e sons, movimentos
E o mundo todo vira nós dois,
Dois corações bandidos
Enquanto uma canção de amor persegue o sentimento
O Zoom in dá ré e sobem os créditos
O amor é filme e Deus espectador!

quarta-feira, julho 12, 2006

Este é um poema de Manuel Bandeira (para saber mais sobre o poeta clique sobre o nome), um grande poeta modernista, é um tipo de poesia narrativa, uma poesia com enredo e cenas, mas nem toda sua obra é assim.

O Inútil Luar

É noite.
A Lua, ardente e terna,
Verte na solidão sombria
A sua imensa, a sua eterna
Melancolia . . .
Dormem as sombras na alameda
Ao longo do ermo Piabanha.
E dele um ruído vem de seda
Que se amarfanha . . .
No largo, sob os jambolanos,
Procuro a sombra embalsamada.
(Noite, consolo dos humanos! Sombra sagrada!)
Um velho senta-se ao meu lado.
Medita.
Há no seu rosto uma ânsia . . .
Talvez se lembre aqui, coitado!
De sua infância.
Ei-lo que saca de um papel . . .
Dobra-o direito, ajusta as pontas,
E pensativo, a olhar o anel,
Faz umas contas . . .
Com outro moço que se cala,
Fala um de compleição raquítica.
Presto atenção ao que ele fala:
— É de política.
Adiante uma senhora magra,
Em ampla charpa que a modela,
Lembra uma estátua de Tanagra.
E, junto dela,
Outra a entretém, a conversar:
— "Mamãe não avisou se vinha. Se ela vier, mando matar Uma galinha."
E embalde a Lua, ardente e terna,
Verte na solidão sombria
A sua imensa, a sua eterna
Melancolia . . .

sábado, julho 01, 2006


Hoje vou deixar para vocês um poema de Álvaro de Campos, um dos heterônimos do Fernando Pessoa, é um poema existencial, gosto muito desses tipos de poemas, gosto de me sentir tocada pelo poema, o que mais me satisfaz é ler um poema que dialoga comigo e isso sempre acontece quando leio Álvaro de Campos.

Não sei.
Falta-me um sentido, um tacto
Para a vida, para o amor, para a glória...
Para que serve qualquer história,
Ou qualquer facto?
Estou só, só como ninguém ainda esteve,
Oco dentro de mim, sem depois nem antes.
Parece que passam sem ver-me os instantes
Mas passam sem que o seu passo seja leve.
Começo o ler, mas cansa-me o que inda não li.
Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir.
O sonho pesa-me antes de o ter.
Sentir
É tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi.
Não ser nada, ser uma figura de romance,
Sem vida, sem morte material, uma ideia,
Qualquer coisa que nada tornasse útil ou feia,
Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe.
01/03/1917 Álvaro de Campos

domingo, junho 25, 2006


Tenho mania de observar as pessoas, o modo como falam, se vestem, se portam, mas não é observar apenas...
Tento ler as pessoas, assim como leio os livros, imagino que são personagens de um livro que ainda não escrevi...
(É tenho uma mente bem maluca, sim...)
Acho um exercício interessante, só que com alguns incômodos, às vezes ser observado não é muito agradável e a pessoa fecha a cara, ou em outros momentos pensa que você está olhando com segundas intenções...
Mas, aí você disfarça e continua observando, ou armazena o que já observou como dados...
Estou falando isso porque muitas vezes passamos pelas pessoas e não prestamos atenção nelas, agimos tão mecanicamente, parecendo meros robôs, às vezes esquecemos até mesmo de observar as pessoas com quem convivemos, sem ver se ela está bem, se precisa da nossa ajuda...
Talvez quando pararmos mais para observar sejamos um poucos mais comprensíveis com o outro e com nós mesmos.

terça-feira, junho 13, 2006

Vamos todos juntos...


Hoje a Copa do Mundo começa para os brasileiros, não sei se no resto do mundo é assim, mas o Brasil pára quando tem jogo da seleção brasileira, todos com o mesmo pensamento, todos falando sobre a mesma coisa, todos tentando assistir ao mesmo programa.
Infelizmente só lembramos que somos brasileiros quando a seleção canarinho está disputando um campeonato mundial.
De quatro em quatro anos queremos afirmar nossa "superioridade" futebolística para o mundo. Talvez seja como um colega comentou : o brasileiro é um povo tão sofrido que precisa sentir orgulho por alguma coisa que faz de bom. E o futebol é uma dessas coisas que o brasileiro "faz de bom".
Logo após a Copa teremos as eleições presidenciais, o presidente Lula é um dos candidatos, o mais forte aliás, como também o mais "encrencado", o seu mandato está recheado de escândalos e histórias mal resolvidas, mas alguém pensa nisso durante estas semanas de Copa??
Não quero que as pessoas esqueçam da Copa, só quero que elas lembrem que o mundo não é redondo e no formato de uma bola de futebol.

domingo, junho 11, 2006


A vida é um caminho tortuoso, nada é estático e eterno.
Viver e amar caminham de mãos dadas,
Agora estou melhor, tudo voltou ao normal.
E posso dizer que isso serviu para ter a mais absoluta certeza de que TE AMO MUITO!

Mas há a Vida (Clarice Lispector)

Mas há a vida
que é para ser intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.

domingo, junho 04, 2006

Ainda preciso te dizer muitas coisas, mesmo que eu não te convença, preciso dizer que você está presente como o ar, que o caminho vai ficar tão mais doloroso sem você e as estrelas não brilharão com a mesma intensidade, mesmo as vendo com os mesmos olhos, não pensei que fosse doer tanto, achei que ia conseguir suportar, minha parte racional fala isso, mas a emoção busca teu cheiro, teu sorisso, tua voz.
Preciso do teu abraço, preciso da tua mão, preciso de você comigo...
Sem você fico sem metade de mim...
Sei que não mereço mais nenhuma chance, sei que você não quer me magoar, sei que você vai falar que não, sei que você não quer que viremos inimigos, então não vou insistir, mas ainda estou aqui se você quiser voltar.
Te amo!!!

Não me levem a mal, mas se neste momento eu não falasse isso explodiria.